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Assimetrias

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Saio de madrugada, rumo as areias do tempo, pisando o nocturno, imaginando o diurno, preso a uma pegada, pesada, castigada, caio lentamente, abro a minha mente, olho em fúria o mar, peço razão, uma chave ao meu coração, castigo poseidon, liberta me deste inferno, oiço chegar um abismo tão perto, luto por liberdade, uma oportunidade, de repente uma chama, trovões no fim do oceano, sereias lançam me um encanto, ergue se Zeus, poderoso deus, suspira um vento bonançoso, olhar triunfante e glorioso, ganho forças estranhas, sinto me novo, um verdadeiro heroi do povo, levanto me e caminho, em mim escreve se uma história, encarando o futuro como uma vitória tenho uma luta para vencer, longa estrada por percorrer, nao quero olhar atras, fechar uma porta, saltar uma horta, não sei por onde sigo, espero um lugar amigo, para renascer, até lá hei-de combater, sentir o escorrer de suor, talvez dor, emigrar, imigrar, vaguear por hemisférios, lugares frios, serei carta geográfica, silenciosa esferográ...

Sonhos

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Se entre as areias deste vulcão, entre abismos antagónicos, palavras e simbolos heroícos, escrevo na minha alma, com nervosismo, durante um sismo, procurando por pausas, virgulas de calma, o teu nome em esfera, o tempo não espera, quero te agora, sem demora, devorar te em chamas, ouvir o sucumbir dos teus labios, dizendo que me amas, entre caminhos e rios, entre florestas, fugimos, subimos, oiço um simples e belo batimento, nas redondezas destas ervas, nas profundezas de uma torre, conquistamos as trevas, o nosso amor ocorre, o nosso sentimento se descobre...

Suspiro

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Assume-se um assédio, Alta tensão, escavo por entre pedras, escondo o tédio, abafo a ilusão, sem regras, apenas pretextos, meros reflexos, seduzem a minha certeza, fragmentação desta esperteza, sinto o chão a fugir, oiço o mar a desabafar, posso cair, posso nadar, se um dia nasci, um dia irei morrer, até lá hei-de crescer.

Enorme Quimica

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Aprisionado, resgatado, fechado nesta abdominável esfera, atraído pelo teu sorriso, respiro nesta ofegante atmosfera, sinto náuseas decapitantes, procuro por emoções escaldante, pelo brilho do teu olhar, sinto no ar o pólen da tua juventude, a formosura da tua antera me consome, a brancura das tuas pétalas elevam me o espírito, preso neste mundo oprimido careço de fome, brasas de um lume, procriadas desse teu perfume, corroem me o coração, escondes nos teus lábios doces uma poção, uma química de arrebatar o corpo, abre este cadeado dourado, este portão apertado, deixa me escorregar pelo teu eden, alargar o meu estimulo, assobiar nos teus lábios o meu amor, a carência do teu odor, a penumbra destas nuvens parecem sanguessugas, agarro me nesta maré de pensamentos, acalorado em sentimentos, irei esperar um toque amoroso, esplendoroso...

Sentimentos Aprisionados

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Junto a um precepício, o vento levou me uma lágrima, uma gota de sentimento meu, não é vicio, nem caiu de cima, corre me nas veias, este bip de voltagem me castiga, o teu olhar me fascina, sem os teus beijos sinto fadiga, lábios monumentais, parecem cristais, arredondo este sofrimento, abriu se por não te ter, apenas por te querer, esse brilhozinho me encantou, cresceu em mim um fogo escaldante, um calor intensificante, amo te, adoro te, sem ti sou um escrúpulo, pequeno e desajeitado crespúsculo, se uma estrela me guiar, um desejo irei criar, ter te ao meu lado e te amar...

Sombras

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caindo em campos, caindo por terras despidas, contando pétalas mordidas, da vida selvagem, da curta viagem de seres empobrecidos, sento me num velho rochedo, não tenho pressa nem medo, a noite chega dentro de minutos, vem congelar almas moribundas, é uma sombra fugitiva, corre por vales e montanhas antigas, conhece o labirinto por onde se esquiva, abro a boca bocejando, entre paredes de pedra vou saltando, algumas mais velhas do que a minha idade, cegas da maldade, da vivacidade dos agricultores enriquecidos, recordam passados esquecidos, o árduo trabalho dos primeiros dos verdadeiros homens da terra mãe, agora o homem é máquina, a pátria vai perdendo uma quina, caindo em ilusões, seremos um dia defuntos, seremos um dia relembrados, fomos um império, Reis deste mundo, agora somos um fundo, construimos a pobreza, onde está nossa pureza? a nossa riqueza? perdidos nesta rota, enfraquecidos nesta frota, sem mapa e rumo, rezando por justiça, por um dia de bonança...

Passagens

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Voam virgulas, cruzam se pontos, pausas e paragens, ouvem se harmoniosos contos, fazem-se viagens, para onde nos leva o tempo, este destino emparelhado, fogosa azafama da vida, acelera e desacelera a passos largos, sento me num telhado, sinto o sucumbir deste velho canto, lembro o chilrear de passaros, voando sobre o manto, aterrando aqui e acolá, momentos raros, dispersa se a juventude, está tudo tão rude, erguem se tempestades, já não oiço a bonança, só mudança, grandes fraudes, decapitam o mundo, cegam a natureza, flutuam neste barco de tristeza, quando, não sei, morrerá no fundo...